SÍNDROME METABÓLICA E A OSTEOARTROSE

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E aí, vamos conversar sobre a Síndrome Metabólica (SM)? 

Essa síndrome é bem clássica. Definida como combo nada legal: excesso de peso, hipertensão arterial, dislipidemia (uma disfunção nos lipídios) e problemas na tolerância aos níveis de glicose no sangue. Junto a isso, temos outros fatores associados como o estresse crônico e a questão da pessoa ser ou não suscetível geneticamente. 

E como tudo no nosso corpo costuma estar conectado, não é de hoje que a gente sabe que os componentes dessa famigerada síndrome são intimamente ligados à doença cardiovascular, a maior causa de morbi-mortalidade no mundo. 

A novidade é que sua relação com a osteoartrose, a doença mais comum entre os idosos, nossa já conhecida OA, tem ganhado novos capítulos ao longo dos últimos anos. 

A Síndrome Metabólica e a Osteoartrose 

Olhando para os estudos, essa relação já vem sido relatada em artigos desde 1961, quando Kellgren relatou que a OA das mãos estava muito associada aos níveis de colesterol acima da média em mulheres. Esse fato é bem interessante, já que as mãos não são articulações de carga, aquelas que recebem impacto, como os joelhos ou os quadris, por exemplo. 

Outro estudo, esse de 1990 feito por Cimmino e colaboradores, observou que os níveis plasmáticos significativamente aumentados de glicose no sangue em mulheres com OA, quando comparadas às mulheres sem OA. 

O papel da obesidade na OA

Bom, além do óbvio, que é o efeito mecânico de sobrecarga, exclusivo nas articulações de suporte de peso, temos também a capacidade de surgimento de uma inflamação no corpo todo, também chamada de meta inflamação ou inflamação sistêmica de baixo grau. 

Diferentes correntes tentam explicar a raiz da SM

Alguns autores consideram o estado inicial resistente à insulina como fonte do problema, outros consideram a obesidade como a força que faz surgir todos os outros fatores da SM. 

De qualquer maneira, em uma coisa todos concordam: um estado pró inflamatório do corpo é o gatilho para diversas patologias em diferentes sistemas do organismo. 

Estado pró inflamatório e o surgimento de doenças

As citocinas pró inflamatórias produzidas pelo tecido adiposo branco – nossa gordura – são uma fonte bem importante de inflamação corporal. Chamadas de adipocinas, elas causam danos nos tecidos muscular e esquelético. Por exemplo, recentemente a gordura intra articular (fat pads), tecido adiposo presente em algumas articulações, foi considerada uma nova fonte de adipocinas e com isso, se tornou um alvo terapêutico no combate à osteoartrose.

Existem vários tipos de adipocina e alguns de seus nomes são adiponectina, leptina, resistina, chemerina, IL-6 e TNF-α. Todas elas participam não apenas do processo de inflamação, mas também na regulação metabólica das células de nossas articulações, incluindo condrócitos, osteoblastos, osteoclastos – células que fazem parte do nosso sistema esquelético, e células tronco mesenquimais. 

A osteoartrose e o osso subcondral 

Uma outra questão bem interessante quando falamos dessa conexão entre a síndrome metabólica e a osteoartrite é o osso subcondral. 

Esse é o nome dado à região do osso responsável por suportar a carga na articulação, dando amparo não apenas no mecânico, mas também  metabólico para a cartilagem da superfície articular. 

Falando de cartilagem, ela sempre foi considerada o principal órgão lesionado na artrose, mas diversos estudos recentes vêm nos mostrando que na verdade, o osso subcondral é muitas vezes a fonte do problema. 

Vou explicar melhor: Nosso tecido ósseo possui células específicas, a especial pra nós nesse contexto são os osteoblastos, células responsáveis pela produção de parte da matriz óssea. 

Em pacientes com osteoartrose, contudo, os osteoblastos do osso subcondral promovem reações chamadas de hipertróficas, que são prejudiciais para a cartilagem articular, pois interferem nos condrócitos (células da do sistema cartilaginoso responsável pela manutenção da nossa matriz óssea). Ou seja, essa reação causa o desequilíbrio das células, o que é bem prejudicial para nosso corpo. 

A função vascular do osso subcondral

Por ser uma região com função vascular – relacionada ao transporte de sangue – o osso subcondral pode prejudicar a saúde da articulação de dois jeitos:  transportando citocinas inflamatórias para dentro da articulação, pelos canais vasculares, ou a perda de permeabilidade microvascular. 

Essa última razão está conectada a dois componentes da Síndrome Metabólica: a hipertensão arterial e a dislipidemia, ambas causam lesão no endotélio dos microvasos dos ossos subcondrais. 

Essa disfunção vascular subcondral pode inclusive levar, em última análise, a desnutrição dos condrócitos e manutenção de um ciclo vicioso. 

Um combo de problemas, né? Mas a boa notícia nessa história toda é que a maioria dos componentes da Síndrome Metabólica são combatíveis pela famosa mudança nos hábitos de vida: alimentação saudável, ingestão de líquidos, prática regular de exercícios físicos… Tudo isso mesmo que você já sabe. E essa mudança pode ser iniciada já. Vamos começar?

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